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sábado, 2 de março de 2013

"História" ... para quê ?

Vamos fazer um simples exercício mental sobre a importância do Passado e da História.

Todos nós já ouvimos falar que estudar História é importante, pois assim aprendemos com os erros passados o que não devemos fazer no futuro, não é mesmo? mas a pergunta que sempre me faço é se isso realmente funciona? estamos corrigindo nossos erros? ou estamos constantemente reinventando novos métodos de errar novamente?

Vejamos um simples exemplo como o da Escravidão Humana.

Já existia à época das construções das pirâmides; existiu na Roma Antiga; foi de suma importância na expropriação das riquezas minerais das Américas à época das Grandes Navegações e dos Descobrimentos, e aqui - muito bem documentado - fica claro, que a tráfico negreiro foi acabando, não porque fomos nos tornando mais humanos e sensíveis, mas porque a industria mercantilista e manufatureira que surgia necessitava de mercado consumidor para os seus produtos.
Acabaram-se os escravos? claro que não! A indústria manufatureira, cada vez mais agressiva, agora se hospeda em um país que lhe estabelece garantias de lucros infindáveis, e suas sucursais multinacionais usurpam da riqueza e da mão de obra baratíssima em qualquer local do globo que lhe seja favorável; os povos e países pobres continuam sendo explorados em seus recursos naturais e em sua mão de obra extremamente barata, que beira à escravidão. Grandes empresas, com ar de respeitabilidade, continuam usando deste artíficio em outros países, que não a sua sede: a escravidão. Temos escravidão de mulheres para atuarem em prostíbulos, temos escravidão de crianças para pedofilia, temos escravidão de crianças e velhos para atuarem na em empresas de fundo de quintal, que fornecem serviço tercerizados para "empresas respeitáveis", temos as classes operárias subjugadas, que é a nova forma de escravidão moderna, e a lista não para de crescer.

Aprendemos alguma coisa com a História? NÃO.

As coisas acontecem do jeito que precisam acontecer e tudo o que importa é o AGORA.

As grandes corporações não estão nem aí para o passado, nem tão pouco a classe política, que apenas usam o passado para fazerem suas citações imponentes. 
George Orwell (pseudônimo), em seu livro, "1984", faz uma bela analogia com o que podemos fazer da história. Ele descreve ali uma possível sociedade, num possível futuro da Terra, onde o povo é manipulado em suas opiniões por um partido político. Um dos mecanismos desta manipulação é distorcer a história, pois todo o fato ocorrido no presente ou passado passa pelo crivo de uma máquina administrativa; se o fato é desfavorável aos interesses do grupo no poder, este fato é transformado em uma nova versão "agradável" antes de cair na distribuição pela mídia. Acontece que mesmo a mentira que se espalha e se repete inúmeras vezes, acaba por se tornar uma verdade quase que incontestável.

Ora, se trouxermos esta analogia para nosso mundo atual, veremos que algo parecido ocorre com a indústria de Hollywood. Cada vez vemos mais filmes, reportagens, documentários, todos saindo de um único ponto de vista, e falando sobre guerras, atentados, terrorismo, enfim..."história", em uma única versão dos fatos, e isso acaba sendo uma verdade. Hoje, eu, brasileiro, conheço mais sobre as figuras políticas dos Estados Unidos, do que as do Brasil; sei quem é Lincoln, JFK, Nixon, Truman, mas não sei quem é Getúlio, Jucelino, Rio Branco.

Amigos, a História está sendo mudada.
E isto importa? sim, se levarmos em conta o poder de uma nação, e de como ela manipula a informação para levar seus intentos adiante.

Mas o que aconteceu na história, realmente pode ter ficado para trás e em nada ter ajudado a construir o que somos hoje. O que somos hoje pode não ter nada a ver com o que fomos ontem. Quando eu nasci eu era uma pessoa, na minha adolescência eu fui outra pessoa, e de lá para cá, com agregações que fiz em meu intelecto e consciência, tornei-me novamente outra pessoa. Se não houvesse um quadro na minha parede me mostrando como eu era na infância, eu poderia até dizer que estou existindo a partir de hoje, e um fato assim é muito bem postulado por Julian Baggini (O Porco Filósofo) em seu 43º conto (Choque do Futuro) "http://books.google.com.br/books?id=h2PcKZmLxswC&pg=PA134&lpg=PA134&hl=pt-BR"

Se eu começar a pensar cientificamente, posso até tentar postular alguma coisa no sentido de que não existe nada atrás de mim, nem nada a minha frente, tudo o que existe é o agora. O fato de eu não aprender com meus erros passados pode implicar no fato simples de que passado, presente e futuro é fruto de uma única realidade, que existe apenas dentro da minha mente. Se sonho, por exemplo, este sonho fica guardado em engramas de memória em meu cérebro; e se algo acontece "realmente" comigo hoje, isto também fica guardado em engramas de memória no meu cérebro; e ambos os engramas me permitem recuperar a informação no dia seguinte. Sabe qual a diferença entre o engrama de memória de um fato real e a de um sonho? nenhuma diferença! são absolutamente iguais: fruto da nossa mente. Sabe quanto tempo "real" pode durar uma aventura completa e repleta de ação em meus sonhos? talvez 2 ou 3 minuntos... dependendo do tão casado eu esteja no momento. O cérebro não carrega essa noção de tempo, nem tão pouco a noção de presente, passado ou futuro, que é fruto apenas de nosso inconsciente coletivo, que é extremamente material, e precisa destas referências.

Até mesmo pesquisadores sérios da ciência têm se preocupado com o aspecto do tempo.

Hoje, sabe-se que nada pode se aproximar à velocidade da luz, porque a quantidade de energia teria que ser infinita para conseguir esta façanha; mas a teoria permite especular que existam partículas que vivem num mundo de hipervelocidade, superior a da luz, isto explicaria algumas experiências que já podem ser feitas hoje em dia com "spin" (uma das caracteristicas de particulas elementares, a rotação): se você girar uma partícula num sentido, no planeta Terra, o seu par complentar irá girar analogamente na direção contrária, não interessando o quão distante do planeta Terra essa particula esteja: é instantâneo, no mesmo tempo; isto implica em dizer, que esta particula não tem passado, pois neste mundo de altas velocidades, tudo ocorre no mesmo tempo: passado, presente e futuro. Há experimentos científicos, inclusive, que dizem que uma partícula, já prevê seu comportamento futuro, e toma uma decisão anterior, sobre qual ação seguir (testado dentro de ciclotrons), isto, claro, dá muitas expeculações, incluvisve aquelas que dizem respeito à cura quântica, que diz que a minha "intenção" é fundamental no processo de cura terapêutica: o que eu pensar agora, influi no que vai ocorrer depois.

"A MINHA REALIDADE FUTURA É CONSTRUIDA A PARTIR DO MEU QUERER PRESENTE".

Esqueça tudo o que eu escrevi acima, pois isso agora já é passado.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Lincoln


          Infelizmente, MUITA gente acha que o cinema é realmente baseado em fatos reais, e então, a indústria de Hollywood continua fabricando seus heróis nacionais. Esquecemos, com frequencia, que os heróis são aqueles surgidos do povo, que normalmente lutam contra o "sistema"; os heróis normalmente morrem ou "são matados" e fazem parte dos "perdedores" nos livros de história. Um presidente nada mais é, na maioria das vezes, do que um representante da classe dominante.

LINCOLN... ainda bem que não "emplacou na galeria"; ...você vai comprar esta idéia do herói fabricado no "cinemark", de novo .. ???



Segue trecho de um livro do Eduardo Galeano, que em um breve resumo, expõe como a América Latina foi - e está sendo - drenada de seus recursos naturais, e de como sua mão de obra barata foi explorada - e ainda é -, e de como classes raciais ou segregadas foram exterminadas sem piedade, e de como  funciona a exploração do mundo dos mais fracos pelos mais fortes, sim, porque tudo se resume nisso. Nada mudou.


"OS FLIBUSTEIROS NA ABORDAGEM

Na concepção geopolítica do imperialismo, a América Central não é mais do que um apêndice natural dos Estados Unidos. Nem sequer Abraham Lincoln, que também pensou em anexar seus territórios, pôde escapar aos ditados do “destino manifesto” da grande potência sobre suas áreas contíguas.
Em meados do século passado, o flibusteiro William Walker, que operava em nome dos banqueiros Morgan e Garrison, invadiu a América Central à frente de uma quadrilha de assassinos, que se autodenominavam “a falange americana dos imortais”. Com o apoio oficioso do governo dos Estados Unidos, Walker roubou, matou, incendiou e se proclamou presidente, em expedições sucessivas, da Nicarágua, El Salvadore Honduras. Reimplantou a escravidão nos territórios que sofreram sua devastadora ocupação, continuando, assim, a obra filantrópica de seu país nos Estados do México que tinham sido ocupados, pouco antes.
Em seu regresso aos Estados Unidos; foi recebido como um herói nacional. Desde então sucederam-se as invasões, as intervenções, os bombardeios, os empréstimos obrigatórios e os tratados firmados ao pé do canhão. Em 1912, o presidente William H. Taft afirmava: “Não está longe o dia em que três bandeiras de listras e estrelas marcarão em três lugares eqüidistantes a extensão de nosso território: uma no Pólo Norte, outra no canal do Panamá e a terceira no Pólo Sul. Todo o hemisfério será nosso, de fato, como, em virtude de nossa superioridade racial, já é nosso moralmente”. Taft dizia que o reto caminho da justiça na política externa dos Estados Unidos “não exclui de modo algum uma ativa intervenção para assegurar a nossas mercadorias e a nossos capitalistas facilidades para as inversões lucrativas”. Nesta mesma época, o ex-presidente Teddy Roosevelt recordava em voz alta a brilhante amputação de terra à Colômbia: “I took the canal”, dizia o novo Prêmio Nobel da Paz, enquanto contava como tinha inventado o Panamá. A Colômbia recebera, pouco depois, uma indenização de US$25 milhões: era o preço de um país nascido para que os Estados Unidos dispusessem de uma via de comunicação entre ambos os oceanos.
As empresas apoderavam-se de terras, alfândegas, tesouros e governos; os marines desembarcavam por todas as partes para “proteger a vida e os interesses dos cidadãos norte-americanos”, álibi exato que utilizariam, em 1965, para apagar com água benta as marcas do crime da República Dominicana. A bandeira envolvia outras mercadorias. O comandante Smedley D. Butler, que encabeçou muitas das expedições, resumia assim sua própria atividade, em 1935, já aposentado: “Passei 33 anos e 4 meses no serviço ativo como membro da mais ágil força militar deste país: o Corpo de Infantaria da Marinha. Servi em todas as hierarquias, desde segundo tenente até general-de-divisão. E durante todo este período, passei a maior parte do tempo em funções de pistoleiro de primeira classe para os Grandes Negócios, para Wall Street e para os banqueiros. Em uma palavra, fui um pistoleiro do capitalismo... Assim, por exemplo, em 1914 ajudei a fazer com que o México, e em especial Tampico, se tornassem uma presa fácil para os interesses petrolíferos norte-americanos. Ajudei a fazer com que o Haiti e Cuba fossem lugares decentes para a cobrança de juros por parte do National City Bank... Em 1909-1912 ajudei a purificar a Nicarágua para a casa bancária internacional Brown Brothers. Em 1916, levei a luz à República Dominicana, em nome dos interesses açucareiros norte-americanos. Em 1903, ajudei a ‘pacificar’ Honduras em benefício das companhias frutíferas norte-americanas".

Nos primeiros anos do século, o filósofo William James tinha ditado uma sentença pouco conhecida: “O país vomitou de uma vez e para sempre a Declaração de Independência...” 

Para dar apenas um exemplo, os Estados Unidos ocuparam o Haiti durante vinte anos, e ali, nesse país negro que tinha sido o cenário da primeira revolta vitoriosa dos escravos, introduziram a segregação racial e o regime de trabalhos forçados, mataram mil e quinhentos operários em uma de suas operações de repressão (segundo a investigação do Senado norte-americano em 1922) e, quando o governo local se negou a converter o Banco Nacional numa sucursal do National City Bank de Nova Iorque, suspenderam o pagamento do presidente e de seus ministros, para que mudassem de opinião.

Histórias semelhantes se repetiam nas demais ilhas do Caribe e em toda a América Central, o espaço geopolítico do Mare Nostrum do Império, ao ritmo alternado do big stick ou da “diplomacia do dólar”.
O Corão menciona a bananeira entre as árvores do paraíso, mas a bananização da Guatemala, Honduras, Costa Rica, Panamá, Colômbia e Equador permite suspeitar que se trata de uma árvore do inferno. Na Colômbia, a United Fruit tinha-se tornado dona do maior latifúndio do país, quando explodiu, em 1928, uma grande greve na costa atlântica. Os trabalhadores nas plantações de bananas foram aniquilados a bala, em frente a uma estação ferroviária. Um decreto oficial fora ditado: “Os homens da força pública ficam livres para castigar pelas armas...” e depois não houve necessidade de baixar nenhum decreto para apagar a matança da memória oficial do país. Miguel Ángel Asturias narrou o processo da conquista e o saque da América Central.
O Papa Verde era Minor Keith, rei sem coroa da região inteira, pai da United Fruit, devorador de países: “Temos portos, ferrovias, terras, edifícios, mananciais - enumerava o presidente -; corre o dólar, fala-se o inglês e se hasteia nossa bandeira...” “Chicago não podia senão sentir orgulho deste filho que marchou com um par de pistolas e regressava para reclamar seu posto entre os imperadores da carne, reis das ferrovias, reis do cobre, reis do chiclete”. Em O paralelo 42, John dos Passos traçou a rutilante biografia de Keith, biografia da empresa: “Na Europa e Estados Unidos as pessoas começaram a comer bananas, assim que tombaram as selvas através da América Central para semear bananas e construir ferrovias para transportá-las, e cada ano mais vapores da Great White Fleet iam para o norte repletos de bananas; essa é a história do império norte-americano no Caribe e do canal de Panamá e do futuro canal de Nicarágua e os marines e os encouraçados e as baionetas...”
As terras ficavam tão exaustas quanto os trabalhadores; às terras roubavam o húmus e aos trabalhadores os pulmões, porém, sempre havia novas terras para explorar e mais trabalhadores para exterminar. Os ditadores, próceres de opereta, velavam pelo bem estar da United Fruit com o punhal entre os dentes. Depois, a produção de bananas foi decaindo e a onipotência da empresa de frutas sofreu várias crises; mas a América Central continua sendo, em nossos dias, um santuário do lucro para os aventureiros, embora o café, o algodão e o açúcar tenham derrubado os bananais de seu pedestal de privilégio. Todavia as bananas ainda são a principal fonte de divisas para Honduras e Panamá e, na América do Sul, foi até pouco tempo a do Equador. Por volta de 1930, a América Central exportava 38 milhões anuais de cachos e a United Fruit pagava a Honduras um centavo de imposto para cada cacho. Não havia e não há maneira de controlar o pagamento de mini-impostos (que depois subiu um pouquinho), porque a United Fruit exporta e importa o que desejar à tizargem das alfândegas estatais. A balança comercial e o balanço de pagamentos do país são obras de ficção, a cargo de técnicos de pródiga imaginação."

As Veias Abertas da América Latina. Eduardo Galeano

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Discurso do Método.

http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1225033&tit=Genericos-Devemos-usa-los-ou-ignora-los

http://www.cartacapital.com.br/saude/o-risco-das-agulhas-nas-maos-erradas/#todos-comentarios

http://saudealternativa.org/2010/08/27/fitoterapia-x-drauzio-varella/

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/11/anvisa-proibe-bebidas-e-alimentos-base-de-aloe-vera.html

http://hypescience.com/18064-filtro-solar-pode-aumentar-o-risco-de-cancer/

http://amigosdacura.ning.com/profiles/blogs/o-perigo-dos-bloqueadores

http://caminhosdaenergia.blogspot.com/2011/12/medicina-e-ciencia-uma-uniao-que-da-ate.html


Certamente se eu vasculhasse com cuidado toda a literatura e toda a mídia informativa sobre notícias que procuram orientar a população sobre o que está certo ou errado sobre a o uso de produtos e alimentos para nossa saúde, eu encontraria muito mais fontes do que as poucas e ilustrativas, que expus acima.
Mesmo vindo de fontes confiáveis, nem sempre essas notícias nos trazem toda a verdade. Cito como principal exemplo a notícia sobre fitoterápicos do Dr. Drauzio Varella (Fantástico, 2010), que em linguagem mais usual, disse que o "chazinho da vovó pode fazer mal à saúde", mas que aos olhos de uma grande parcela de profissionais de saúde, pode encobrir uma terrível verdade: a indústria farmacêutica vê com espanto o avanço de produtos naturais, que na maioria das vezes pode ser usado sem qualquer indicação médica ou participação desta mesma indústria - e que combatem com eficiência uma grande quantidade de males, serem usados pela população, diminuindo desta forma os lucros milionários destas empresas; ou a noticia divulgada pela revista online Carta Capital, que em entrevista a um acupunturista-médico, omitiu a opinião de uma infinidade de profissionais da saúde, que não são médicos e que são realmente quem exerce a acupuntura no Brasil, impondo à população a ideia de que acupuntura é perigosa.
Também, a proibição pela ANVISA de produtos que não têm comprovação científica de que não fazem mal ao paciente, como é o caso recente do ALOE VERA, que ao meu ver é um grande erro, pois primeiro, um produto não precisa ser retirado do mercado porque não tem comprovação científica de seu uso já que esta é apenas uma das maneiras de você obter informações sobre alguma coisa, o método empírico de observação também seria um método apropriado de estudo, quando bem elaborado, e segundo, se o critério de retirar produtos do mercado fosse realmente um estudo científico, então muitos remédios deveriam ser "obrigatoriamente" retirados de circulação, pois bastaria ver na bula, em "efeitos colaterais" a quantidade enorme de situações onde estudos comprovam que eles causam danos a saúde.

A impressão que fica é que sempre que alguém emite uma opinião sobre algum assunto esta mesma opinião terá duas versões, e as duas serão igualmente válidas dependendo dos interesses que estas duas opiniões representem, e não teremos como saber a verdade pela simples razão de não conhecermos os fatos na sua totalidade.


Aproveitei a folga do carnaval para por minha leitura em dia, pois há tempos que eu estava querendo ler Descartes. Cito abaixo a sinopse do livro: Discurso do Método, de René Descartes:

"Cogito ergo sum. "Penso, logo existo." Tal proposição resume o espírito de René Descartes (1596-1650), sábio francês cujo Discurso do método inaugurou a filosofia moderna. Em 1637, em uma época em que a força da razão tal qual a conhecemos era muito mais do que incipiente, e em que textos filosóficos eram escritos em latim, voltados apenas para os doutores, Descartes publicou Discurso do método, redigido em língua vulgar, isto é, o francês. Ele defendia o "uso público" da razão e escreveu o ensaio pensando em uma audiência ampla. Queria que a razão – este privilégio único dos seres humanos – fosse exatamente isso, um privilégio de todos homens dotados de senso comum.
Trata-se de um manual da razão, um prático "modo de usar". Moderno, Descartes postulava a idéia de que a razão deveria permear todos os domínios da vida humana e que a apreciação racional era parâmetro para todas as coisas, numa atividade libertadora, voltada contra qualquer dogmatismo. Evidentemente, tal premissa revolucionária lhe causaria problemas, sobretudo no âmbito da igreja: em 1663, vários de seus livros foram colocados no Index. Razão alegada: a aplicação de exercícios metafísicos em assuntos religiosos. Discurso do método mostra por que Descartes – para quem "mente", "espírito", "alma" e "razão" significavam a mesma coisa – marcou indelevelmente a história do pensamento."

Sinopse da editora: L&PM POCKET: Porto Alegre, 2009.


Na acupuntura, muito falamos, inclusive eu, que o maneira atual de se fazer medicina é oriundo do método cartesiano, onde para entender um fato precisamos duvidar deste fato e não apenas crer que ele existe.
Descartes elaborou um pensamento para testar suas teorias sobre o funcionamento das coisas, que era dividido em quatro etapas:

"- o primeiro era o de nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não conhecesse claramente como tal; ou seja, de evitar cuidadosamente a pressa e a prevenção, e de nada fazer constar de meus juízos que não se apresentasse tão clara e distintamente a meu espírito que eu não tivesse motivo algum de duvidar dele;

- o segundo, o de repartir cada uma das dificuldades que eu analisasse em tantas parcelas quantas fossem possíveis e necessárias a fim de melhor solucioná-las;

- o terceiro, o de conduzir por ordem meus pensamentos, iniciando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para elevar-me, pouco a pouco, como galgando degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e presumindo até mesmo uma ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros;

- e o último, o de efetuar em toda parte relações metódicas tão completas e revisões tão
gerais nas quais eu tivesse a certeza de nada omitir."

O método acima foi sendo reproduzido pelos anos seguintes e idealizados em todo um sistema filosófico que nos foi trazido até hoje: a maneira de se fazer uma pesquisa científica onde dividimos tudo em partes e testamos cada uma destas partes para ver se ela influencia o todo; a produção em massa nas fábricas onde o operário se especializa por demais em uma única tarefa; a medicina ocidental que sofreu um reforma em 1910 para se adequar a este sistema, onde todo o individuo, o serviço de saúde e a própria profissão de médico é dividida em diversas especialidades.

Isto, sem dúvidas, trouxe avanças tecnológicos consideráveis, mas, infelizmente, perdemos a noção do todo, do conjunto e que hoje se faz necessário. Nós, na acupuntura, falamos muito em tratar a saúde de maneira holística, pois de certa forma, a acupuntura é exatamente isso: você não é dividido em joelho, olhos, coração, seja lá quantas partes forem necessárias, mas você é visto como um todo, onde qualquer sintoma tem interação com outro sintoma; e o tratamento também é global.

Descartes pregava este conhecimento global?

Bem, não dá para conhecer um autor ou sua obra com a leitura de apenas um livro, mas já neste livro fica clara a impressão que ele não estava contente com as informações que pessoas ou entidades lhe impunham como verdades, exatamente como as informações que passei acima nesta postagem com aqueles links.

Ele era uma pessoa extramente instruída para os padrões de sua época, frequentou as melhores escolas, convivia com doutos e mesmo assim tinha muitas desconfianças sobre todas estas verdades que lhe chegavam aos ouvidos.

Ele preferiu afastar-se das pessoas letradas, que tinham suas próprias verdades, e foi viajar (por nove anos) para conhecer outras verdades, que segundo ele, também eram igualmente válidas; e em seu retorno ele chegou a conclusão que ambas as verdades eram válidas, ... mas não para ele.

Para encurtar a história, ele preferiu desconsiderar tudo o que lhe falavam que era verdade e começou a analisar uma a uma, considerando apenas o que a sua razão lhe permitia aceitar como verdade. Partiu da premissa que o seu próprio pensamento era uma realidade para poder estar questionando tudo ("Penso, logo existo") e a partir daí ele criou um método próprio de análise de todas as verdades, que acabou por influenciar todas as gerações futuras.

Voltando aos exemplos lincados logo acima, seria muito interessante que nos apegássemos novamente às ideias de René Descartes, jogando fora toda a informação que nos chega via mídia informativa, pois elas parecem estar cheias de vieses; talvez devêssemos ser céticos sempre e analisar cada uma dessas informações sob o nosso próprio ponto de vista.

Talvez precisemos de alguém que jogue toda esse informação inútil fora e nos forneça um novo sistema de encarar a vida e de como analisar tudo, agora sob uma nova ótica.

Mas René Descartes não era totalmente cartesiano, e o pessoal da acupuntura pode ainda levar um pouquinho de fé nele, pois mesmo tendo criando um critério de análise das coisas, que fragmentava tudo, duvidava de tudo e depois testava tudo sob a ótica da razão, ainda assim, em outro livro - Principia Philosohia, 1644 - ele diria que "a visão forte ou clara se produz quando a coisa é vista numa grande luz; ela é fraca ou obscura quando a coisa é vista numa luz tênue, tal como no eclipse do sol ou ao luar" , que é uma típica visão holística das coisas, tal qual a acupuntura trabalha seus pacientes ou como um místico tibetano encara a vida.



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O Tempo

No Primeiro Simpósio para a Integração da Consciência de Gaia - que, de fato, nunca ocorreu - o conferencista Kether Weisskopff, da Universidade Hebraica de Jerusalém - que, de fato, nunca existiu - discorre sobre o conceito físico-matemático de "Tempo".

"O Tempo é uma abstração à qual chegamos por meio das mudanças que ocorrem nas coisas." Sem sua face subjetiva e imaginária o universo seria apenas um gigantesco cadáver, e a transformação que aí poderia ocorrer seria algo como um apodrecimento – promovido pela entropia. O tempo é imaginário e subjetivo. A noção de tempo bidimensional emerge quando tomamos ciência de que cada subjetividade tem seu tempo-próprio, sua linha-mundo exclusiva."


Nesta palestra, Weisskoptt esclarece que ao lidarmos com conceitos espaciais da física adotamos que existem 3 dimensões de espaço e 1 de tempo, e entendemos também que Einstein reconfigurou o espaço para que este pudesse englobar o tempo, constituindo o que hoje chamamos de espaço-tempo, mas, também podemos adotar, para efeitos de entendimento da Totalidade - em substituição a Universo - a premissa de que poderia existir 3 dimensões para o tempo, além das 3 dimensões hatituais para espaço:

A primeira dimensão do tempo seria aquela famosa linha reta que conhecemos, e que liga todos nós no mesmo lugar comum, o que está em nossos relógios, que marca os dias, meses, as estações;

Já o tempo bi-dimensional ocorreria na subjetividade consciente e inconsciente de cada indivíduo, que como exemplo citaria aqui aquele tempo que passa mais rápido quando somos mais velhos e que é mais lento quando somos jovens, ou o tempo de um dia tedioso que nunca passa e outro dia atarefado em que precisariamos de um dia de 25h, talvez um outro exemplo fosse o tempo que se passa em nossos sonhos, onde vivemos presente, passado e futuro num unico instante de 5 minutos de sonho, fazendo-nos parecer que o sonho demorou horas;

Por fim, o tempo tri-dimensional, que uniria todos esses conceitos em uma única gemometria, e que estaria completamente compreendida no universo da subjetividade, que comportaria os fenômenos imaginários e irreais. "O tempo tridimensional (...), está além da capacidade humana de abstrair e imaginar: é o domínio dos deuses. Mas, pode ser vislumbrado, com uma analogia geométrica equivalente – que deve ser apreciada nos estritos limites de uma metáfora. Imagine-se o deslocamento do tempo-superfície, formado pelo tecido de todas as subjetividades, numa dimensão perpendicular a ele próprio, criando algo como um volume, o "volume" absoluto onde a totalidade evolui, que tudo contém e não tem limites nem lado de fora. O tempo tridimensional, com seus contúdos subjetivos, é o equivalente mais próximo que podemos conceber da "mente" de Deus; assim como o espaço tridimensional, com seus conteúdos objetivos, pode ser uma metáfora do seu "corpo"."


Essa forma de encarar o tempo sob a ótica de três dimensões, vai de encontro a uma característica da matemática, que tende a encontrar artifícios imaginários para tornar suas fórmulas matemáticas esteticamente perfeitas, tal qual a forma encontrada para achar a raiz quadrada de um número negativo, ou o artificio do número fracionário para quando uma divisão não haja resto inteiro, ou mesmo o artificio do número que não existe, o zero, quando subtraimos um número de seu semalhente, ou ainda, números espelhados, como são os número negativos, e a lista é longa.



"Sobre Deus e o tempo, o filósofo cristão Tomás de Aquino já dizia, num dos seus textos:

Apesar de todos os eventos se tornarem reais sucessivamente, Deus não os conhece como os conhecemos, isto é, à medida que ocorrem, mas simultaneamente. Todas as coisas no tempo são presentes em Deus na eternidade, porque seu olhar tudo vê como presente.

Mais adiante, acrescentava:

A alma é parte do tempo, existindo acima do tempo, na eternidade: contém a natureza, mas ultrapassa o movimento físico medido pelo tempo. O tempo é a medida da transformação; eternidade é medida de permanência.

Chegamos, portanto, ao limiar inapreensível da eternidade. Quem aqui puder se movimentar livremente será um deus, ou Ele Próprio.
Depois desta jornada gnóstica vemos, entre espantados e descrentes, que o tempo dos físicos e da entropia, o tempo linear dos relógios e dos calendários, da erosão e das rugas, este tempo cotidiano que pinga, pinga, pinga, pinga, pinga, incessantemente, é apenas o resultado de um pequeno vazamento no imensurável tanque da Eternidade."

sexta-feira, 22 de julho de 2011

We are BORG, no more. Now, we are ANONYMOUS.

We are BORG, no more. Now, we are ANONYMOUS



We are the BORG, no more:


Now, we are ANONYMOUS:

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Acupuntura e saúde - uma visão em 3D da vida.

Como acredito que discutir saúde seja de interesse geral, tomei a liberdade de trazer aqui pro blog dois textos de minha autoria, que eu já havia posto para discussão em duas listas do yahoo: http://br.groups.yahoo.com/group/acupunturabrasil/ e http://br.groups.yahoo.com/group/prosaudebrasil/ . O texto, logo abaixo, sofreu algumas adaptações aqui para o blog, bem como algumas correções, afinal, sempre é possível enxugar um pouquinho mais.

> -------Mensagem original-------
> De: XXXXXX
> Data: XXXXXXXXXX
> Para: XXXXXXXXXX
> Assunto: [prosaudebrasil] Fraude com placebos abala as bases da ciência médica moderna
> Fraude com placebos abala as bases da ciência médica moderna; milhares de ensaios clínicos invalidados

Alguém respondeu:

> excelente artigo!
> fato é que a ciência que se produz hoje não chega nem perto de cobrir todas as variáveis de um problema, e não pode, simplesmente é incapaz de avaliar impactos de ações em longo > prazo (várias gerações humanas).
> XXXX X XXXXX

1º TEXTO.

Olá (XXXX X XXXXX )
Muito acertado sobre a ciência não cobrir tudo!

Estamos ainda sobre os alicerces do pensamento cartesiano proposto por René Descartes, onde precisamos quebrar tudo em pequenos pedaços para poder entender o Todo. Só que nos preocupamos demais com esses pequenos pedaços (diversas variáveis) que nos esquecemos do geral. Esses pequenos pedaços não interessam realmente, mais a relação que um faz com o outro é o que importa . Veja que o médico se preocupa com o pulmão, o joelho, o coração, mas não se preocupa com o que a pessoa sente, não se preocupa com o todo; não interessa se um pulmão está doente, pois no fundo isso implica no individuo ficar doente!

Agora, veja os milhões de anos que se passaram para que enfim chegássemos a ser o individuo, ainda imperfeito, que somos hoje!... veja quantas conexões tivemos que fazer com tudo que nos cerca: ar, água, outros seres vivos, florestas; então, se você (genérico) acha que desmatar a floresta amazônica não vai influenciar no povo europeu, ou extrair pedras da África não vai afetar o cidadão estadunidense, ou ainda que pisar numa borboleta aqui no Brasil não vai afetar o esquimó.....ledo engano!!!

Estamos inseridos em milhares, quiçá milhões de interconexões estabelecidas pelo tempo e pela evolução, são milhões de variáveis que temos que colocar numa pesquisa científica, e não apenas fecharmos em poucas variáveis controladas com placebo, duplo cego, grupo controle, etc.: é simplesmente impossível quantificar a vida!

Claro que, se vivemos num mundo capitalista, onde quantizamos tudo, para controlar, reproduzir e depois vender a preço de ouro, estas pesquisas ainda são importantes, pois como exemplo, se você precisar corrigir um problema genético na sua família, ainda assim vai precisar comprar a patente do Mr. Craig Venter (Celera CO.), ou usar de seus serviços.

A conclusão que se chega é que devemos mudar o foco para estudar a saúde, devemos quebrar o paradigma do método cartesiano e evoluir um pouco mais na nossa filosofia.

A física quântica desponta hoje como um novo olhar para a ciência e nos mostra que dentro da matéria não existe matéria, mas apenas energia, e que esta matéria que pensamos estar num ponto fixo, não está lá realmente, a matéria só está lá quando olhamos para lá, na verdade o que existe é uma probabilidade de ela estar lá. Isso implica em dizer que VOCÊ determina a matéria, basta focar o seu referencial. E nosso cérebro é uma grande máquina para transformar toda essa energia circulante em realidade. Então, quando amanhecer o dia, diga para você mesmo: eu quero ser feliz e ter saúde, e você simplesmente terá, e não é fisioterapeuta, acupunturista, médico, físico, remédio ou qualquer outra coisa que vai impedir isso. E então você verá que um câncer pode ser curado simplesmente com força de vontade, sem qualquer toque mágico ou terapêutico.

Ao contrário do que se pensa, talvez sejamos simplesmente seres espirituais vivendo uma experiência material.

Abraços

George Kieling, fisioterapeuta.


2º TEXTO.


> From: XXXXX XXXXXX
> Sent: XXXXX XXXXXX
> To: prosaudebrasil@yahoogrupos.com.br
> Subject: Re: [acupunturabrasil] Re: Fwd: [docentesdata] Fw: [prosaudebrasil] Fraude com placebos abala as bases da ciência médica moderna
> Esta é uma bela reflexão!
> Pena que quem precisa refletir não irá ler ou se ler irá ler "mais um artigo".
> A tal "medicina" hoje em dia se resume em se o paciente tem ou não convênio médico...

"Pena que quem precisa refletir não irá ler ou se ler irá ler ´mais um artigo´."

Acho que foi o Zaratustra, de Nietzsche, que disse que "sua rede não era para todos os peixes", faço dele, então, as minhas palavras. Não podemos forçar as pessoas a abrirem os olhos, mas podemos abrir os nossos, e não para a verdade, mas para o conhecimento. O Mito da Caverna, de Platão, fala exatamente disso: se quisermos descobrir a verdade devemos deixar de viver nas sombras e sairmos para fora da caverna; só que muitas pessoas vivem mais felizes quando acreditam no que é mais fácil acreditar e essa passa então a ser uma felicidade que se vive através dos olhos de outros - uma falsa verdade!

Veja..., uma parente minha baixou o hospital, ontem, no CTI, por embolia pulmonar, estava entre a vida e a morte; hoje está em casa e se recuperando, porque após uma TC descobriu que não tinha nenhum trombo vagando descontroladamente e tinha sido apenas uma crise de coluna; o médico não soube fazer o diagnóstico diferencial correto e deixou todos nós apreensivos. Ontem, também, no meu serviço, alguém comentou que um conhecido seu baixou um bom hospital aqui em Curitiba (Hospital VITA) e estava no quarto trocado, tomando medicação errada, estava com febre e não tinha ninguém a acompanhando (após sair de uma cirurgia). E assim como estes, temos tantos outros casos parecidos.

Então eu pergunto: - é isto saúde? Médicos parecem um bando de "filhinhos de papai", com um "rei na barriga", querendo ganhar muito dinheiro em pouco tempo e decorando uma receita de bolo para tratamentos. Um individuo que se forma em medicina ou qualquer outra profissão da saúde, deste jeito, não terá a mínima chance de tratar alguém, porque seu horizonte de possibilidades é muito restrito - ele se especializou demais, virou máquina - tipo linha de montagem da FORD - , não sabe tratar de doentes, apenas doenças. Claro que isto se aplica a todos os profissionais da saúde e que ainda existem muitas exceções.

O que vemos hoje, é uma poderosa máquina montada para se ganhar dinheiro, e ninguém realmente está pensando na saúde.
Ora, a população sabe disso e começa a procurar caminhos alternativos, e encontra então as terapias alternativas que começam a despontar vertiginosamente. Então estas outras técnicas, ditas mais naturais, começam a ter uma maior importância e consequentemente, mais demanda, o que, claro, desequilibra a balança. A "máquina" então dá seu troco: tentar votar desesperadamente seu "ato médico", manda representante para televisão (Dr. D. Varella) dizer que fitoterapia faz mal, manda a agencia reguladora "regular" mais, tudo com um único intento: desacreditar o tratamento que a natureza nos oferece de graça. Mas isto é política!


Eu, como graduado em fisioterapia, tive uma formação bastante técnica, e com um gosto muito particular para a pesquisa científica, mas mantive minha mente aberta. E nesta abertura, surgiu a acupuntura como uma extensão natural da minha formação. Mudar de músculos, nervos e articulações, para canais de energia invisíveis foi um grande choque, mas sobrevivi. Com a formação em acupuntura passei a perceber que existe uma outra forma de encarar a saúde e que não necessariamente precisamos usar a máquina de ganhar dinheiro, como um fim e não como um meio - deixo bastante claro. Mas mesmo assim, dentro da "outra medicina" ainda temos muitos "mágicos" com "curas invisíveis", todos baseados na mesma premissa: ignorância de pacientes e de alunos que não querem sair da caverna de Platão.

Mas vamos a um exemplo mais interessante de como encarar a saúde de uma maneira holística, tentando vencer nossos preconceitos e quebrar paradigmas.

Há alguns meses, levantei uma questão no Acupunturabrasil e Prosaudebrasil sobre a "Teoria do ponto G", pois fiquei muito interessado em saber como essa energia fundamental é gerada e distribuída no nosso organismo. Em acupuntura chamamos essa energia de "Qi", e nessas discussões me referenciaram o mestre Mantak Chia. Com sucessivas leituras tive as primeiras noções de fractais; fiquei - e ainda estou - muito impressionado em saber como nosso corpo se comporta como um sistema fractal, e daí para chegar ao Universo Holográfico de Michael Talbot foi um pulinho. Mantive sempre minha mente aberta e ainda continuo lendo muito sobre isso.

Agora, a título de exemplo, imagine um anel de metal do tamanho de um dedo - simples e fácil, não é mesmo? aliás, um círculo deve ser a forma geométrica mais simples; agora vá colocando sucessíveis anéis em cima deste; se você olhar detalhadamente, ainda assim identificará alguns anéis do conjunto. Agora coloque milhares de anéis, milhões de anéis, bilhões. Quando você olhar para tudo isso não identificará mais um simples anel, mas sim, uma estrutura altamente complexa: mas ainda assim só haverá anel ali. Mas, como tudo isso será difícil de montar novamente, então vamos criar um código de duplicação: neste código eu digo que o 2º anel de cima está 20 graus à direita do de baixo, e que o 3º está inclinado em 90 graus e à esquerda do 2º, e assim sucessivamente. A este meu código eu dou o nome de DNA.

O nosso corpo é mais ou menos como este sistema de fractal feito com anéis: uma única parte do nosso corpo contém informações sobre todo o resto dele, tal como um sistema holográfico no qual a 3ª dimensão está embutida na 2ª; e todo o corpo funciona assim: como exemplo disso, imagine que se você fizer uma lobotomia e retirar engramas de memória do cérebro, que representam a memória recente, você ainda assim terá a memória recente, pois o cérebro é holográfico - uma única parte contem informações sobre o todo: outra parte do corpo irá lhe suprir esta perda.

Ainda... por mais que você aumente o número de anéis naquele sistema fractal, ainda assim você só terá anéis: se você colocar uma luneta naquela complexidade toda, verá o anel - temos anéis na orelha: auriculoterapia; temos anéis na sola dos pés: reflexologia; temos anéis nos olhos: iridologia; anéis nos ossos longos: técnica do 2º metacarpo; anéis na cabeça: cranioacupuntura; anéis nas mãos: koryo; anéis na genitália, no abdomen, nos dedos, no rosto, fica impossível listar aqui todos os anéis. Na medicina alternativa damos os nomes destes anéis de: microsistemas. Temos ainda dois microsistemas muito importantes na acupuntura: pulso e lingua: dois anéis que , se bem interpretados, poderemos receber informações de diagnóstico do corpo todo.

Mas imagine agora que este anel é uma unidade viva e que está unidade é composta de energia pura se relacionando interna e externamente, tal qual um átomo com elétrons a sua volta; então, nosso corpo todo é formado de energia, tal qual a energia do átomo, do DNA, da célula, do ser vivo, do Qi, do meio ambiente, do planeta, muito doido não é mesmo?

Somos pura energia, e este é o novo paradigma, temos que sair da concepção de curar o material para curar o imaterial, e o estudo da acupuntura vem a ser exatamente isto. Eu te pergunto: você tem que tratar o pulmão, o coração, o rim,... ou tem que tratar a pessoa toda?

Este fim de semana fiz o segundo módulo do curso "Tao do Amor e do Sexo", do Mantak Chia, em Curitiba, que de amor...não tem nada, mas... é fundamentalmente: alquimia interna taoista: vale a pena ler um pouco sobre isso.

Nas práticas, podemos treinar muito para identificar uma energia dentro da gente (Qi), concentrá-la e direcionar para onde quisermos; a professora nos fez acreditar que em alguns mestres só aprovam o aluno se ele conseguir aumentar a temperatura da sala trabalhando a sua energia interna (colocando termômetro da sala); um praticante de Karatê que quebra tijolos com as mãos está jogando toda a sua energia para as mãos;

Se podemos fazer o Qi circular por nosso corpo, podemos também impulsionar esta mesma energia para uma agulha, colocando então nossa "intenção" de curar para dentro do paciente com o uso da agulha.

Isto, meus amigos, não se aprende em curso de medicina, talvez nem em cursos de acupuntura, mas isso se aprende simplesmente deixando nossa mente aberta, como uma esponja a absorver novos conhecimentos, fazendo nós mesmos nossas buscas, procurando trilhar nosso próprio caminho. Infelizmente somos levados a procurar o mais fácil e então entramos num mundo supérfluo, de aparências, capitalista, selvagem, desordenado e que cada vez mais se expande para lugar algum. Talvez nunca quebremos este paradigma, mas alguns sabem que não existe nada lá fora, e que o melhor que temos está dentro de nós. Bastaria por o pé no freio e dizer: antes de conhecer o universo, quero conhecer a mim mesmo, talvez demorássemos mais algumas décadas para termos o GPS ou um boeing, mas não teríamos pobreza, guerras ou mesmo capitalismo.

A acupuntura me abriu novos horizontes e não tenho receio algum de lançar minha rede aqui no grupo para tentar conseguir alguns peixes, mas sei que a rede é apenas para alguns.

Fica aqui a idéia que precisamos ter nossa mente aberta, para que então possamos cobrar da sociedade uma terapia da saúde que seja mais holística, menos voltada para máquinas e remédios e mais voltada para a pessoa.

Abs..

George Kieling, fisioterapeuta.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

How Much Ignorance about War ... and God.

I´ve received this e-mail, today, by my list of discussion:

"SHALL WE HIRE A MONUMENT ENGRAVER TO GO TO ARLINGTON NATIONAL CEMETERY AND ADD THE MISSING WORDS?

THIS IS A MESSAGE FROM AN APPALLED OBSERVER:

Today I went to visit the new World War II Memorial in Washington , DC I got an unexpected history lesson. Because I'm a baby boomer, I was one of the youngest in the crowd. Most were the age of my parents, Veterans of 'the greatest war,' with their families. It was a beautiful day, and people were smiling and happy to be there. Hundreds of us milled around the memorial, reading the inspiring words of Eisenhower and Truman that are engraved there.

On the Pacific side of the memorial, a group of us gathered to read the words President Roosevelt used to announce the attack on Pearl Harbor:

Yesterday, December 7, 1941-- a date which will live in infamy--the United States of America was suddenly and deliberately attacked.


One elderly woman read the words aloud:


'With confidence in our armed forces, with the abounding determination of our people, we will gain the inevitable triumph.'


But as she read, she suddenly turned angry. 'Wait a minute,' she said, 'they left out the end of the quote.. They left out the most important part.Roosevelt ended the message with
'so help us God...'

Her husband said, 'You are probably right. We're not supposed to say things like that now.'

'I know I'm right,' she insisted. 'I remember the speech.' The two looked dismayed,
shook their heads sadly and walked away.

Listening to their conversation, I thought to myself, 'Well, it has been over 50 years; she's probably forgotten.'

But she had not forgotten.
She was right.

I went home and pulled out the book my book club is reading --- 'Flags of Our Fathers' by James Bradley. It's all about the battle at Iwo Jima



I haven't gotten too far in the book. It's tough to read because it's a graphic description of the WWII battles in the Pacific.

But right there it was on page 58. Roosevelt 'S speech to the nation ends in '
so help us God.'

The people who edited out that part of the speech when they engraved it on the memorial could have fooled me. I was born after the war! But they couldn't fool the people who were there. Roosevelt 'S words are engraved on their hearts.

Now I ask:
'WHO GAVE THEM TH E RIGHT TO CHANGE THE WORDS OF HISTORY?????????'

Send this around to your friends. People need to know before everyone forgets.


People today are trying to change the history ofAmerica by leaving God out of it, but the truth is, God has been a part of this nation, since the beginning. He still wants to be...and He always will be!


If you agree, pass this on and God Bless YOU!


If not, May God Forgive You!
"


And that was my answer:

"Yeesss...God bless the War, all the wars (I II III IV...) we are in, and let us be the winner, no matter the way: a hammer, a gun, a gun machine, a stick, a stone, with flattop, with many planes, many B-52, many atomic bombs...ohh...I like this God that like wars. He is so benevolent with the winners.
Merry Chistmas ...but a want you receive a rose, not a bomb, okay?"

How Much Ignorance in both cases....!!!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Filosofia do Lenço de Papel

Gostar de escrever é uma M.... até mesmo esperando a filha na escola, aquela coceira nos dedos nos alcança, e pronto - lá vem as frases. Ainda bem que sempre carrego lenços de papel no carro.

"Outro dia estava foleando as orelhas de dois livros em uma livraria: 'O Laptop de Leonardo' e 'O Mundo é Plano', o pano de fundo pareceu-me o mesmo, qual seja, estão ambos os autores maravilhados de como o avanço rápido da tecnologia mudou o mundo e a forma de nos relacionarmos - mais especificamente, a tecnologia da informação -, e em consequência, a possibilidade de se fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Ora, isso tem um preço, pois quanto mais informação ao seu alcançe , menor é a profundidade sobre seu conteúdo; e isto é interessante, pois ainda hoje eu estava assistindo a uma entrevista na Globo News (TV), com duas pessoas que fazem a seleção de candidatos a emprego em uma grande empresa e que falavam exatamente sobre isso - a profundidade do conhecimento... nos jovens candidatos.

O jovem, ao chegar numa empresa, para a entrevista de emprego, não tem a base para uma conversa um pouco mais profunda e embora haja pouca vaga para muitos candidatos - às vezes, até numa relação de 200 x 1 -, estas vagas acabam sobrando. O jovem não tem "profundidade" na hora da entrevista.

Ora, o jovem é fruto da sociedade, esta mesma sociedade que nos banaliza, nos empurra celulares que nem bananas na feira, modas que estão sempre indo e vindo, zilhões de livros de auto-ajuda e de como vencer na vida ou ser feliz. Resta-nos perguntar: - se as empresas tornam as pessoas (e os jovens) superficiais, devem elas cobrar profundidade de pensamento na hora do emprego?
Talvez devêssemos dar uma chance a este jovem, pois ele trás também novidades para a empresa, tal como um pensamento mais leve, mais rápido, mais agressivo, mais maleável. E ele, com o tempo, vai acabar aprofundando e embasamento melhor seus pensamentos, muito embora isso venha ocorrendo cada vez mais tarde.
Mas a preocupação também é grande, pois este "cada vez mais tarde" nos põe um pouco de medo, pois cada vez mais que retardamos os embasamentos do nosso pensamento, tanto mais velhos tornamos então aquele "um pouco mais sábios", inclusive com a possibilidade de criarmos gerações inteiras de idiotas, com muito dinheiro no bolso, celulares e carros da moda e nenhuma idéia na cabeça - é a sociedade de consumo rápido, das idéias aparentes.
Veja o caso que está acontencendo agora, nas escolas: uma fitinha no pulso indica se você quer agarrar, beijar ou fazer sexo; ora, nem existe mais aquela questão da sedução, da conquista, do romance - basta usar uma fita: rápido, eficiente e ... descartável; por que será também que não me impressionei quando soube que o país que mais está usando o Twitter no mundo é o Brasil - é muita banalidade que se pode escrever dentro de apenas duas linhas.

Mas voltando à questão dos dois livros citado no início, acho que o motivo de ficar perplexo não seria para o caso de podermos ter acesso a tudo; acho que essa maneira de pensar também é muito superficial e "focal" dentro do nosso tempo, pois estamos desconsiderando a história do Homem como civilização e assim fazendo, só estamos vendo o "agora". Talvez eu seja um pouco mais pessimista, pois vejo que ao mesmo tempo que abandonamos Deus usando a justificativa da Razão, ...

- O quê? ... você ainda acredita em Deus? e mesmo assim faz tudo diferente do que manda a bíblia? ... e também afirma que o Homem veio do macaco? e não acredita na maioria das teses bíblicas, mas ainda crê em "algo superior"?
Caro amigo, você é um hipócrita! -

... acabamos também substituindo-o pelo milagre da tecnologia e ... sim, milagre, pois os instrumentos estão tão pequenos, velozes e melhorados, que estamos já achando que só pode ser um milagre quando conseguimos acessar a internet em qualquer velocidade, de qualquer lugar, sem fio e com aparelhos que daqui a pouco estarão dentro de um anel. E já não mais compreendemos como tudo isso funciona.
Na verdade, a tecnologia está nos emburrecendo, estamos voltando à idade das trevas novamente, e desta vez, maravilhados pela completa ignorância na qual submergimos, pois deixamos Deus de lado e agora acreditamos piamente em qualquer coisa, contando que seja fruto da tecnologia...

- Palavra do Youtube.
- Graças ao Google!

Meus amigos, quando emburrecemos, nossos Donos mostram a cara e então, o ciclo se repete novamente.

George Orwell é que estava certo.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Life is too complex to medicine

Two statements... just to thinking about...

Trying to figure out more and more the smaller parts of the body, the modern medicine becomes scientific; nowadays the scientific method is poor to understand a entire person, that is too big - regarding she is integrated psy and socially to your environment -, but, much more efficient to understand a simple cell.



Duas afirmações... apenas para reflexão...

Procurando entender cada vez mais as partes menores do corpo, a medicina atual se tornou científica; hoje, o método científico é ineficiente para compreender uma pessoa, que é gigante - considerada que ela é integrada psicossocialmente ao seu ambiente -, mas muito eficiente para entender uma célula!!



Em breve serei acupunturista.

George Kieling, fisioterapeuta
Curitiba

domingo, 1 de novembro de 2009

What is Phylosophy? (O que é Filosofia?)

Just an opinion...

Until my forty´s i used to be a little more futile, i was always thinking that my truth was the only one right. After my forty´s, and i don´t know why, i´ve started to search for more simple concepts, and more truthful too, maybe that one about death, pleasure, lies, love, sex (mainly) and so, i started to figure out that what i have learned about life (coming from christian religion) do not had satisfactioned me anymore. So a started to read classical books and more about great philosophers (Rousseau, Nietzsche mainly, Maquiavel, Thomas More, Volaire, or yet, Plato, Aristotle, bla bla. So i realized that i knew nothing! and so the bible didnt have explained me anything too.
I am still reading so much, i am still have many doubts, and as i search for reply as many doubts
emerges. Now, when i look at others people i realize many foolish things in your lifes and so i can be more truthful with myself and less hypocrite. I am more grateful with myself and i keep on enjoying the life and of to know what is It for me. I beleave that phylosophy is like this that i told: to try to know the road where you are in. Another way to live the life would be to stay watching TV shows, or laughing from the jokes of youtube, or to be worried with your clothes, appearance or car.
Plato said that are two kinds of people: the phylosopher and the practic man, isn´t this? A teacher of phylosophy isn´t a phylosopher (in many cases), he could just be a practic man trying to get some money with your knowledge - he could be a practic man. My knowledge is small about phylosophy, but a feel like a phylosopher, in other words: a friend of the knowledge.

O que é Filosofia?

Mais uma opinião apenas.

Até os 40 anos eu era um pouco mais fútil, sempre achando que minha verdade era a certa. Depois dos 40, não sei por que, comecei a procurar conceitos mais simples e mais verdadeiros, talvez aqueles sobre morte, prazer, mentiras, amor, sexo (principalmente) e comecei a descobrir que o que eu aprendi sobre a vida (vindo da religião cristã) não mais me satisfazia. Comecei a ler literatura clássica e grandes filósofos (Rousseau, Nietzsche principalmente, Maquiavel, Thomas More, Volaire, ou ainda, Platão, Aristóteles, bla bla. Então descobri que eu não sabia nada, e que também a biblia não me explicava nada.
Continuo lendo, continuo cheio de dúvidas, e quanto mais eu procuro respostas mais dúvidas aparecem. Quando olho para outras pessoas percebo muita abobrinha em suas vidas e hoje consigo ser mais verdadeiro e menos hipócrita. Estou mais de bem comigo mesmo e continuo gostando muito da vida e de saber o que ela signfica para mim. Acho que filosofia tem a ver com isso: procurar conhecer a estrada em que você se encontra. Uma outra maneira de viver seria ficar assistindo jornal nacional, rindo das piadas do youtube e preocupado com minhas roupas e meu carro.
Platão dizia que existe o homem prático e o homem filósofo, não é isso mesmo? um professor de filosofia não é um filósofo (em muitos casos), pois ele poderia ser apenas um homem prático tentando ganhar seu sustento. Eu não manjo bulufas de filosofia, mas me sinto um filósofo, pois sou amigo do saber.

George Kieling

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Just a further little post about 1984, from George Orwell

George Orwell was wrong about the Big Brother to come into our house as a face, to face us on a TV set:



In fact, the Big Brother comes in other way, and if you don´t like him, you will not be a american patriotic citizen, so... you would be a terrorist, possibly.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Deleting History

Other day i was watching a movie - Valkyrie -, that plays (represents) a period of our history, the nazism, and how a group of germen officers, in the core of the government, on 1944, had prepared a sabotage plan to do Hittler to fall. The more interesting thing, i guess, is the fact of a movie of the Hollywood Industry to come into the Germany and to have no barrier to tell his history, and as i see yet, it was pleasant for germen because it din´t shock the people neither the history.
But i stay thinking to myself so, and there´s not possible to avoit the comparition, in a reference to the story of a George Orwell book - 1984 -, where he said the one of the best way to control the present time is to erase the past, whence, in the wars, the only story that matters is that one of the winners, so, if you want to figure out the entire story of the world try to understand the story of the losers.
In the book, all fact that have no interest to government are eresad from history and all records are deleted and all the little and big stories are replaced for another one more useful to government, cleary or in a underground way.
Now, imagine an Industry (Hollywood) coming into a country (Germany), getting credit (good movie), telling your history (good movie) and after admited as a good one (people thinks this), so... it can change the real facts indeed, until the people come the believe that it was the real story actually.

Good book: 1984, George Orwell
Movie alike: V of Revange
Not Bad Movie: Valkirie
Bad Movie: 1984 (like the book): it don´t plays the psicology of the personagens neither the ideal of stablishced government.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Acupuntura no Brasil

Ser cidadão é saber exercer sua cidadania, cumprindo com suas obriagações perante o Estado e usufriundo de seus direitos. Mas para exercer corretamente nossa cidadania torna-se necessário estar bem informado; e é aí que existem as maiores discrepâncias, pois nem sempre a quantidade é igual a qualidade e então, toda aquela informação que chega até a gente via orkut, twitter, youtube e até mesmo pelos veículos oficiais: tudo vira lixo!! A verdadeira informação que o cidadão precisa não chega realmente até ele e fica perdida no meio de toda essa tecnobaboseira.

O Congresso está votando atualmente um projeto de lei que diz respeito às atividades dos médicos, o tal "ato médico". Essa lei seria sem importância se ela não mexesse com outros profissionais da área de saúde, principalmente o já tão conhecido profissional chamado "acupunturista"; logo, não haverá pressão da sociedade, seja porque ela desconhece o que se passa, seja porque ela tem tantas outras des-informações na sua vida.

Como profissional da área de saúde que sou, sinto-me na obrigação de fazer a minha parte e diante de tanta des-informação, postei hoje pela manhã na lista de discussão "acupunturabrasil" um texto de minha autoria manifestando essa preocupação com a saúde do país.

Segue o texto abaixo, que está livre para reprodução na web:

"O modus operandis de um parlamentar é bem fácil de entender: para se eleger, ele defenderá a causa das massas que o elegem; depois de eleito, ele defenderá a causa dos lobistas de maior peso segundo seu perfil ideológico e que estejam em sintonia com sua conduta ética dentro da casa parlamentar, que até certo ponto é uma coisa normal, já que não ponte atender aos anseios de cada individuo pessoalmente.

Acho que a luta que travamos (profissionais da área de saúde) é uma luta dos lobbies dentro do Congresso Nacional, pois dentro da casa existem muitos parlamentares simpatizantes com o ato médico encorajados com a pressão de seus lobbyers: hospitais, planos de saúdes, médicos, empresas de produtos hospitalares e farmacêuticos; mas, para outros profissionais da saúde, o lobby não é tão grande assim, não existem bancadas, apenas guerreiros individuais.
Seria interessante se voltássemos - nós, que nesse momento carregamos a bandeira da acupuntura, - nossa atenção também para a população, pois em última instância, é ela que realmente elege um parlamentar e é também para ela que ele deveria estar trabalhando, no bem maior e comum: a saúde do povo.
A população precisa estar esclarecida que milhares de acupunturistas trabalham há anos no Brasil: são acupunturistas técnicos, graduados, com cursos no exterior ou no Brasil, que dão aulas, que são alunos, que são proprietários de cursos, que têm tempo suficiente para "sentar e conversar" com o paciente em sua prática diária de acupuntura, ou seja, fazendo o que o médico não faz. A prática interprofissional acaba sendo a melhor para o sistema de saúde, pois permite uma atenção mais generalizada ao individuo como um todo. O atual sistema em que o médico está inserido não permite que ele trate um paciente de acupuntura como qualquer outro profissional trata, ou seja, com mais tempo e mais integralidade.
Os lobbies não deveriam ser eficiente neste aspecto pois está em jogo é a saúde da população, sem contar que o país não pode voltar ao tempo do coronelismo, onde uma casta dominava todo um setor da sociedade; se retrocedermos a tal ponto teremos uma situação onde não haverá mais volta.
E onde isso nos levaria? que outros "atos" mais ainda teríamos para frente? você gostaria de ver portarias ou leis, tais como:
- uma nova proposta de alteração do ato médico no Congresso: a classe médica reivindica o direito de que a prática da coleta de lixo é de responsabilidade do médico, pois somente assim poderia ter um efetivo controle da transmissão de certas doenças; muitos médicos, inclusive, acham que o uso de uma vassoura é exclusividade médica, pois assim controlariam o contágio de doenças transmissíveis pelo chão nos hospitais;

- uma segunda proposta de alteração do ato médico, reivindica, desta vez, o uso exclusivo de canais de transmissão de televisão, pois canais como a Globo e SBT, estão usando sistemas que são exclusivos de médicos - a televisão -, já que esta é usada pelos médicos para video-endoscopia;

- médicos querem novamente alterar a lei do ato médico, mudada uma semana atrás, pois querem incluir agora os dentistas, já que o dente é inserido profundamente na pele, e entrar profundamente na pele é de competência de médico, logo, todos que têm dentes, devem se submeter às decisões médicas.

Ora amigos, chega, não é mesmo?
É preciso esclarecer a população sobre o que é acupuntura, quem realmente trabalha nela e o que faz o acupunturista!

Seria muito interessante que leitores deste blog postassem comentários aqui indicando sites e seus links onde constem relações de deputados que são contra ou a favor de alterações no ato médico, ato este que excluirá milhares de acupunturista experimentados de exercerem esta prática milenar, já devidamente reconhecida pelo Ministério da Saúde como sendo multi-disciplinar, e condenando-os a trabalharem na clandestinidade. Seria uma dura pena para a população perder mais este profissional que ainda dispõe de tempo nas consultas."

Gostaria de saber em quem posso votar com segurança nas próximas eleições: este é meu real intento.

George Kieling

sábado, 3 de outubro de 2009

Nietzsche (Viviane Mosé)

O audio abaixo é uma exposição sobre a filosofia de F. Nietzsche, filósofo do século passado, que ainda hoje continua influenciando o modo de pensar de muita gente, inclusive a mim, que não sou "expert", mas gosto muito de filosofia. Está exposição é de autoria de Viviane Mosé: poetisa, dramaturga, psicanalista e professora de Filosofia.

No meio da exposição, Viviane recita - a meu ver - uma de suas mais belas poesias, que transcrevo logo abaixo. Também, ao final, deixo um link para um site onde o DJ 440 faz uma bela mixagem com esta poesia e um link para o youtube. Boa degustação!

Link para o audio:
http://www.4shared.com/file/137279747/f511f98d/7_-_Nietzsche_-_Shaman.html





"TEMPO

Quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele
soprando sulcos na pele soprando sulcos?

O tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina
sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto
com calma

(eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)

Acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim

E por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás

Um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos…

Acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando". Viviane Mosé


Link para youtube: http://www.youtube.com/watch?v=LUDpHJDS8aY

Link para DJ440: http://www.overmundo.com.br/banco/dj-440-remixa-a-poesia-de-vivane-mose

sábado, 29 de agosto de 2009

Realidades.


I - Entendendo o livro.

Há alguns meses, entrei em contato com Carol Suiter com o intuito que eu pudesse escrever algo para publicar em seu site (http://scifibrasil.com.br/). Ela sugeriu algo como uma história envolvendo Guerra nas Estrelas e Jornada nas Estrelas. Pois bem, comecei a escrever, empolguei-me, e o que era para ser um simples conto, estava mais tendendo para um livro completo.
Mas o tempo passou e algumas prioridades se adiantaram; acabei deixando o livro de lado.

Agora, finalmente ele está acabado, não com a forma de um livro, mais sim, como um conto - mais para um episódio de Jornada nas Estrelas - de quase 50 páginas. É uma história fechada, para fãs de Jornada nas Estrelas, e que já conhecem as histórias e os personagens, tanto é que são poucos os detalhes sobre os personagens e sobre o ambiente. Como gosto muito de roteiros de cinema, a "estrutura" da história enclinou-se mais neste sentido.

Como é minha primeira história escrita, espero que desconsideram muita coisa sobre a arte de escrever um livro e apenas apreciem a história.

II - Link para o livro: Realidades
(escrito por George Kieling e tendo como personagem, Carol Suiter -integrante da FFESP).

O livro (e-book) encontra-se disponível para leitura e download no site:
http://www.scribd.com/doc/19298917/Realidades-George-Kieling-Star-Trek-PTBR , sendo necessário clicar no botão "download" onde aparecerá então a opção para "pdf". Para usuários do Mozilla com add-ons será necessário habilitar o javascript do navegador.



quinta-feira, 20 de agosto de 2009

H1N1 - Esclarecimentos.

A informação que transcrevo abaixo foi obtida via e-amail, diretamente da dra. Kathia Maria de Gouvea Ribas, sem intermediações. A mesma é médica e trabalha no Instituto Curitiba de Saúde - ICS (http://www.ics.curitiba.org.br/). Num gesto louvável pela saúde pública ela perdeu parte de seu precioso tempo para fazer essa pesquisa, cujo único intuito é o esclarecimento sobre a gripe suína (a pandemia do momento)



INICIO DO EMAIL (DATA: 15/agosto/2009)

"Sou médica pediatra e auditora. Tomei a iniciativa de escrever uma mensagem que pudesse diminuir o pânico, sem descuidar do estado de permanente ALERTA.

Ressalto que falo em meu nome, e não da Secretaria Municipal ou Estadual do Paraná, as quais tem setores competentes para repassarem os boletins atualizados diariamente.
Tenho entrado em contato diariamente com as autoridades municipais e estaduais (SMS e SESA) além de acompanhar os protocolos do Ministério da Saúde.

Para os esclarecimentos oficiais, os Secretários de Saúde Municipais e Estaduais são os responsáveis.

Me senti na obrigação de colocar alguns esclarecimentos menos alarmantes, para evitar o pânico, que em nada nos ajuda.
Tomei esta iniciativa somente no intuito de tranquilizar meus amigos e pacientes, não esperava realmente esta repercussão.

A situação está em plena evolução, o Paraná atualmente está no "olho do furacão, " e esta é a evolução prevista. Devemos ter mais 2 ou 3 semanas críticas. O mês de agosto deverá ser de alerta, cuidado, reforço nas orientações gerais.

ESCLARECIMENTOS IMPORTANTES:

1- A disseminação do virus é real, ele já ultrapassou a "barreira " inicial de contaminação dos casos iniciais (vindos de paises com casos comprovados) e já circula livremente entre nós, ajudado pela condições climáticas de inverno. Grande parte dos quadros gripais leves e moderados já são do novo virus (H1N1). Como há um grande número, os exames só serão feitos nos casos graves e/ou internados, mas já há grande circulação de virus em forma branda, com sintomas da gripe comum. Não há motivo para pânico (e sim para CUIDADOS) porque em 99% dos casos a evolução será absolutamente benigna após alguns dias.

2-Cuidados preventivos (boa alimentação com ênfase em sucos, frutas e verduras, ambientes arejados, higiene redobrada de mãos e secreções oro-nasais). Em vigência do quadro gripal, como os sintomas iniciais são exatamente iguais aos da gripe sazonal, entrar em contato com seu médico ou posto de saúde: após a avaliação inicial, a maioria dos casos será manejada com repouso em domicílio, e medicação sintomática, com acompanhamento periódico- Em Curitiba temos Call center 24 hs para acompanhamento dos casos.
Caso haja piora, ou o quadro inicial seja grave , ou em pacientes de risco (gestantes, idosos, menores de 2 anos, diabéticos, renais crônicos, imunodeprimidos), após avaliação médica pode ser necesário uso imediato do antiviral. Ressalto que há anti viral em quantidade suficiente, além de matéria prima disponível para preparo de doses adicionais.

3-Os cuidados básicos de alimentação, higiene, repouso adequado e ventilação de ambientes , devem ser seguidos sempre. Alguns cuidados específicos estão sendo readapatados de acordo com a evolução da curva epidemiológica: é uma nova patologia, e os protocolos vão sendo adaptados de acordo com as novas necessidades; PORÉM, COMO É UM VIRUS NOVO , DE COMPORTAMENTO AINDA INCERTO, NADA IMPEDE QUE EM POUCOS DIAS AS CONDUTAS E ORIENTAÇÕES SEJAM MUDADAS E RE ADAPTADAS. AS AUTORIDADES ESTÃO SE MODIFICANDO DE FORMA ÁGIL E RESPONSÁVEL, DE ACORDO COM O COMPORTAMENTO DO VIRUS.

4-Não foram tantas mortes comparados com o percentual total de contaminados. No Paraná até hoje tivemos 79 óbitos pelo H1N1, para um número muito maior de infectados com evolução benigna.(o aumento recente de óbito nas eststísticas, se deve à chegada de confirmação de exames antigos que estavem represados- atualmente a situação está estabilixada, com tendência à regressão). Muitas outras mortes, são pelo virus da gripe comum, outras tantas por bactérias causadoras de pneumonias típicas do inverno. Alguns óbitos por doença respiratória aguda aguardam confirmação de exames laboratoriais. Com a disponibilização ágil do Tamiflu (antiviral) nas promeiras 48 hs, o nº de óbitos deve ser reduzido significativamente.

5-A auto medicação é prejudicial, pois pode mascarar um quadro inicial e postergar o início de tratamento efetivo. Por outro lado, o uso indiscriminado do antiviral sem a prescrição médica, também pode ser prejudicial, aumentando a patogenicidade do vírus (ele se torna resistente). O conselho é: em casos de fabre igual ou maior que 38 º C acompanhados de sintomas respiratórios, o paciente procure avaliação médica.
Quadros sem febre ou com febre abaixo de 38, podem ser manejados com antitérmico e medicação sintomática em domicílio, e observação frequente para detectar qualquer piora dos sintomas.

6- Calcula-se que esta primeira "onda " no Brasil, deva ser crítica no mês de agosto, entrará em estabilização e começará a regredir nos próximos 2 meses. Isto é somente uma projeção, há que se acompanhar diariamente a curva epidemiológica e os protocolos poderão ser adaptados ou modificados a qualquer momento.

7- A máscara só é recomendada para pessoas que apresentam sintomas respiratórios e para a equipe de saúde que atende pacientes com sintomas respiratórios. Ela é descartável e deve ser trocada de 3 em 3 horas.

8- O afastamento das aulas nestas semanas de pico, ajuda na diminuição da transmissibilidade, pois as crianças e adolescentes são potenciais transmissores e nem sempre tem hábitos adequados de higiene de mãos e vias respiratórias. As autoridades competentes vão definir a data do reinício das aulas (PR), possivelmente o próximo dia 17/08/09. Como a transmissão da gripe A é através de contato direto (gotículas expelidas através de tosse ou espirros) e por contato das mãos com superfícies contaminadas, recomenda-se sim, que se evitem locais abafados e super lotados: baladas, bares fechados, shows, cinemas.
Nos locais mais arejados: clubes, parques, ciclovias, quadras abertas, o risco é mínimo.

9- Conforme os dados do Ministério, não há indicío por ora de que o vírus se torne mais agressivo. A dispensação de medicamento para os raros casos mais graves, já está agilizada. A vacina já está em desenvolvimento, o que deverá minorar os casos nos próximos surtos.
A vacina estará disponível inicialmente para paises do Hemisfério Norte (que entram no inverno no final do ano). No Brasil, a vacinação deverá começar em 2010.

Temos que estar ALERTAS, isto sim, pois é um virus novo, pode sofrer mutações, e ainda estamos aprendendo a conviver com ele. DEVEMOS ACOMPANHAR E CONFIAR NAS INFORMAÇÕES DAS AUTORIDADES OFICIAIS, QUE SÃO REAIS E FIDEDIGNAS.

Att
Káthia Maria de Gouvêa Ribas - CRM 9448"

FIM DO EMAIL


quarta-feira, 15 de julho de 2009

Rei Lear

Segue trecho da obra "Rei Lear", de William Shakespeare.

(comentário à parte:
LEAR - Rei que estava para dividir seu reino e
deixá-lo como dote para suas 3 filhas: Goneril,
Regane e Cordélia)

"LEAR - Enquanto isso, mostrar pretendo nossos
desígnios mais recônditos. Um mapa! Ficai sabendo,
assim, que dividimos nosso reino em três partes,
sendo nossa firme intenção livrar-nos, na velhice, dos
cuidados, bem como dos negócios, para confiá-los a
mais jovens forças, e, assim, nos arrastarmos para a
morte, de qualquer fardo isento. Nosso filho de
Cornualha, assim como vós, Albânia, filho também
não menos caro, temos o propósito certo, neste
instante, de declarar publicamente o dote de nossas
filhas, para que a discórdia futura fique obviada
desde agora. Os príncipes da França e da Burgúndia,
grandes rivais no amor de nossa filha mais nova, em
nossa corte já fizeram sua parada longa e
apaixonada. Ora aguardam resposta. Minhas filhas -
já que neste momento nos despimos do governo, não
só, dos territórios e cuidados do Estado - ora dizeime
qual de vós mais amor nos tem deveras, porque
alargar possamos nossa dádiva onde contende a
natureza e o mérito. Fale primeiro Goneril, a nossa
filha mais velha.
GONERIL - Senhor, amo-vos mais do que as palavras
poderão exprimir, mais ternamente do que a visão, o
espaço, a liberdade, muito mais do que tudo que é
prezado, raro ou valioso, tanto quanto a vida com
saúde, beleza, honras e graça, como jamais amou
filha nenhuma ou pai se viu amado; é amor que
torna pobre o alento e o discurso balbuciante. Amovos
para além de todo extremo.
CORDÉLIA (à parte) - Cordélia que fará? Ama e se
cala.
LEAR - Todo este trecho aqui, de uma a outra linha,
com suas matas e campinas ricas, com rios
caudalosos e seus prados de larga bordadura, te
pertencem. De tua prole e de Albânia, como posse
perpétua vai ficar. Que diz agora nossa segunda filha,
a queridíssima Regane, esposa de Cornualha? Fala.
REGANE - De igual metal que minha irmã sou feita e
pelo preço dela me avalio. No imo peito descubro que
ela soube dar expressão ao meu amor sincero. Mas
ficou muito aquém, pois inimiga me declaro de
quantas alegrias se contenham na mui preciosa
esfera dos sentidos tão-só. Achei minha única
felicidade na afeição de Vossa mui querida Grandeza.
CORDÉLIA (à parte) - Então, coitada de Cordélia!
Contudo, nem por isso, pois estou certa de que meu
afeto mais rico é do que a língua.
LEAR - Que para ti e os teus fique de herança
permanente este terço avantajado do nosso belo
reino, em rendas, graças e extensão não menor em
nenhum ponto do que o que em sorte coube a
Goneril. Nossa alegria, agora, conquanto a última,
não a menor, e cujo afeto jovem os vinhedos da
França e o branco leite da Burgúndia disputam: que
podeis dizer-nos para um terço mais opimo virdes a
obter do que os das vossas manas? Falai.
CORDÉLIA - Meu senhor, nada.
LEAR - Nada?
CORDÉLIA - Nada.
LEAR - De nada sairá nada. Novamente dizei alguma
coisa.
CORDÉLIA - Oh desditosa! Trazer não posso o
coração à boca. Amo a Vossa Grandeza como o dever
me impõe, nem mais nem menos.
LEAR - Que é isso, Cordélia? Concertai um pouco
vossas palavras, para não deitardes a perder vossa
dita.
CORDÉLIA - Meu bondoso senhor, vós me gerastes,
educastes e me amastes, pagando eu todos esses
benefícios qual fora de justiça: com obediência e
amor vos honro sempre extremamente. Por que têm
maridos minhas irmãs, se dizem que vos amam sobre
todas as coisas? Se algum dia vier a casar, há de
seguir o dono do meu dever apenas a metade de
meu amor, metade dos cuidados e das obrigações.
Certeza é nunca vir a casar-me como as duas manas,
para amar a meu pai por esse modo. LEAR - Do
coração te veio o que disseste?
CORDÉLIA - Sim, meu senhor.
LEAR - Tão jovem e tão áspera?
CORDÉLIA - Tão jovem, meu senhor, e verdadeira.
LEAR - Então vai ser teu dote só a tua veracidade.
Pois pela sagrada irradiação do sol, pelos mistérios
de Hécate e, assim, da noite, pelas grandes
operações dos orbes que nos fazem viver e definhar:
desde este instante me desligo dos laços
consanguíneos, preocupações de pai e parentesco,
passando a te considerar como uma pessoa estranha
a mim e a meu afeto, de agora para sempre. O cita
bárbaro ou selvagem que faz da prole pábulo para o
apetite, há de ser mais vizinho do meu seio, acolhido
e consolado, do que tu, que não és já filha minha."

E assim começa a história de Rei Lear, saindo do trono em direção a sua humanidade.

É interessante observar nas obras de escritores antigos (tanto da antiga Grécia quanto os de até alguns séculos atrás) de que a natureza humana continua a mesma; os temas parecem sempre atuais: traição, egoísmo, poder, amor, hipocrisia, pois, quando no trato dos sentimentos e emoções humanas, não evoluimos nada - uns adulam, outros querem ser adulados.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ecce Homo

Putz...tenho mania de escrever o texto e fazer poucas revisões, então ele acaba saindo mais filosófico do que poético, mas vá lá...



Ecce Homo

Correndo pelas ruas, à noite, a única coisa que importa são os pensamentos. É uma sensação maravilhosa de encontro consigo mesmo – ou de reencontro; o suor descendo o rosto, a batida forte do coração, o cansaço se espalhando pelos músculos – é o corpo clamando por algo reconfortante, nem que chegue via lembranças.

Faço esta jornada há anos, noite após noite, sempre; acho que começou já quando eu era adolescente – vida saudável; claro, andei parando algumas vezes; outras, “dando um tempo” apenas, mas sempre recomeçando, e nunca abandonando este belo hábito, que hoje é uma constante.

Outra noite, numa dessas corridas solitárias, deparei-me com uma lembrança antiga, da época de escola, lá pelos idos dos meus 20 ou 21 anos... Nesta época, eu estudava em uma escola militar, recebia forte doutrinamento sobre disciplina e cultivava, já, bons hábitos da vida saudável; e um desses hábitos era a famosa “corridinha”.

Lembrei perfeitamente de um amigo daquela época, que, ficticiamente, chamarei aqui de Bosco; era um companheiro estimado. Começamos junto na escola, com armários lado-a-lado, mesma sala de aula, e que no dia da formatura, estávamos também juntos – corríamos pelos campos da escola em nossas horas de lazer - saudades. Tenho também um outro destes velhos amigos da época da escola, que também ficticiamente chamarei de Favero; este era um colega mais distante, de um outro curso, com um bom coração, e com a mesma vontade de crescer e ser alguém, e que conversamos algumas boas vezes; na formatura, estávamos lá. Ou o Joaquim, também nome fictício, que só vim reencontrar agora mais tardiamente. Um bom amigo.Ou então aquele, que por seu intermédio , mudei toda a minha vida, dando inicio à família, viagens, profissão e, desavenças crescentes – por que não? – mas amigo.

Os anos passaram e aqui estou, lembrando deles. Esta se torna nossa vida, rodeada e baseada nos amigos que construímos e mantemos, mesmo que distante, sempre nos trazendo algum direcionamento.

Esta mesma saudade, devido a distância e ao tempo, trás também a curiosidade de saber que destino a vida lhes reservou. O vínculo físico foi perdido, mas não a lembrança. Gostaria muito de poder convidá-los a virem a minha casa e, depois de muitos anos, sentarmos então junto a um fogo, em um dia frio, e poder ouvir as histórias de suas vidas e a começar a entender as pessoas às quais se tornaram.

Nosso destino.

Todos temos alguma idéia do que seja o mundo, do que sejam as pessoas, para onde vamos, o que somos. A religião tem papel fundamental nesta questão, pois ela explica coisas que nosso senso comum não conseguiria explicar; mas também a filosofia, a ciência e a própria experiência de vida nos explica muita coisa. Nossas experiências de vida são moldadas sobre estes alicerces cheios de preconceitos e falsas afirmações, falsos ídolos, meias verdades; e o fruto disso, somos nós. Quem consegue sair desta “caverna” encontra um outro mundo ainda mais cheio de dúvidas e perguntas.

Em meu mundo, cheio de dúvidas, acredito que três pilares da ambição levam o Homem para seu destino; são eles: o status, o poder e o dinheiro. Você, com certeza, se encaixará em um destes três pilares. A forma como você alcança isso varia muito: alguns usam a inteligência para terem o status desejado, ou se aliam a outras pessoas pelo casamento para alcançarem o mesmo status, ou então se aliam para terem o poder, usando a política; outros usam o terror para ter o status ou o dinheiro; influência sexual, influência pessoal – várias são as maneiras de se atingir o objetivo. E uma das coisas que faz a ponte entre o objetivo final - que é status, poder e dinheiro - e as ferramentas que dispomos para atingi-los são as nossas emoções.

Os sete pecados capitais.

Eu posso estar muito enganado, mas acredito que o que realmente move o mundo para frente são as qualidades que normalmente não etiquetamos como “virtudes”. Os tais sete pecados capitais, e tantos outros mais, são o maior exemplo; todas as grandes descobertas, novos desafios, as mudanças de paradigmas, tudo tem a mão destas contra-virtudes, em tudo foi necessário uma boa dose de ambição, de luxúria, de gula; os ressentimentos, mágoas e tristezas construíram grandes obras para a humanidade; os loucos, os excêntricos, os depravados , todos deixaram sua marca na história e provavelmente estavam atrás do que todos querem: status, poder ou dinheiro. As virtudes “saudáveis” tais como o amor, a alegria, a esperança, a caridade e tantas outras, sempre foram os limites da tolerância, algo para poder contrabalançar e dosar o outro lado do caos.

Veja, não quero dizer que devemos ser maus, ou dizer o que é certo ou errado, mas sim constatar algo que vemos no dia-a-dia – ou analisado à luz da própria história -; por exemplo, um grande ídolo da televisão ou cinema, que é bonito, bem sucedido, prega a bondade em seus personagens, talvez seja uma pessoa extremamente egocêntrica, arrogante, usou muito dos atributos sexuais para conseguir o seu status e de quebra ainda atingiu o dinheiro, sabe-se lá em quantos ela não passou a perna para chegar no topo da ambição desejada? Hitler - louco, excêntrico - mandou milhares de pessoas para a morte, foi fruto de uma época que sucedeu às descobertas de Darwin sobre a evolução, pois logo depois já começaria no mundo uma era de descobertas pelo gene perfeito e então, a sua loucura veio à tona; mas com ele veio também o V2, um foguete que provavelmente deu origem à corrida espacial e que culminou em nossos meios de transporte aéreos; veio o desenvolvimento de tantas tecnologias para a guerra, tais como a do transistor; a fisioterapia, minha profissão, veio desta época, pois as seqüelas de guerra eram enormes.

As pessoas vivem desafiando as regras, superando seus limites, vencendo obstáculos, superando tabus e preconceitos. E não consigo imaginar tudo isso, sem os sete pecados capitais e tantos outros que fingimos não gostar, mas que usamos fartamente no jogo da vida. E essa é uma das grandes forças motrizes do mundo.

A pessoa que me tornei.

Não é uma coisa legal julgar as pessoas, pois nossos parâmetros não são o correto, estamos impregnados de preconceitos, de ódio, de hipocrisias, de verdades que só valem para nós mesmos; mas a gente acaba julgando e percebemos isso quando escolhemos nossas amizades, e eu escolho minhas amizades pelo que sou e pelo que me tornei: a fonte de referência sempre será eu.

“SIM” para o meu questionamento inicial; gostaria de voltar a rever velhos amigos e poder entender a trajetória que seguiram na vida e o que se tornaram hoje.

Tenho tanta curiosidade a respeito de meus velhos amigos, será que algum deles tem um mínimo interesse pelo trabalho de Carl Orff, ou já assistiu ao Barbeiro de Sevilla, ou já dançou um tango, conheceu umas das Sete Maravilhas do Mundo, ou já leu algo sobre o Olho de Hórus, ou já viu alguma múmia em algum museu, ou já leu sobre o famoso Louvre... que espécie de cultura vinte e poucos anos separam uma amizade?

Or can they realize, for example, that globalization it is a process where big companies become owner of you, not your country anymore; and speaking and learning english it not just to put a mark at you small company? or else...to say that stars from some novel are going to "Nova Iorque"? in our small mind can they imagine how big is the transformation of the world?

Será “que eles conseguiram aquele brilho questionador no olhar” daquelas pessoas que não levam dúvidas para casa, ou apenas se tornaram mais um dos que calam e consentem?; será que cultuam após tanto tempo os bons hábitos da vida saudável, como boa alimentação e atividade física, ou será que já cederam ao consumismo moderno e se dedicam a brincar com as várias engenhocas eletrônicas, carros novos sempre e muita fartura na mesa?

E quanto à informação? Quantos deles será que já assistiram a um bom filme, não vindo de Hollywood ganhador de Oscar, mas ganhadores de muitos expectadores em busca de qualidade? ou se já procuraram ler algum livro de profunda filosofia e entendimento, ou clássicos da boa literatura, ou se apenas sentam no sofá e assistem rotineiramente ao Jornal Nacional em busca das velhas notícias padrão, para discutí-las no serviço, no dia seguinte: chacina, crise nos Estados Unidos, corrupção no governo e artista drogado? ... medíocre, não?

Família... tens? ... apenas uma? ou já cedeu ao modernismo? ... daquele que substitui a traição pelo divórcio? ...da substituição da conversa com o filho, pelo vídeo-game e televisão “cultural”. Tens tempo para a família, ou ela está em segundo plano na sua vida? Põe se filho de castigo, ou acha que a tal “conversa” ainda é o melhor negócio? ... conte tudo, amigo! Quem é você afinal?

Uma outra grande curiosidade que tenho sobre o amigo é saber que se ao assistir ou ler alguma obra de William Shakespeare ele irá derramar alguma lágrima; olhe só que curiosidade a minha?! ... “chorar”? sim, amigo, chorar. Quer emoção maior do que a comoção com um belo drama? Consegue chorar? rir com vontade? é humano o suficiente para aceitar essa possibilidade de não esconder suas emoções?

Meu amigo, sente-se ao meu lado, vamos jogar uma partida de xadrez enquanto você me conta como é a pessoa que você se tornou. Não quero saber se você tem casa própria, rolex no pulso ou carro novo na garagem, você nunca será meu amigo por isso, pois meus amigos devem ser parecidos comigo; apenas não tenha receio de me dizer a verdade, de me olhar nos olhos, de me contradizer; pois só assim saberei que tornando-se o que você se tornou, ainda continua com aquele olhar de um bom e velho amigo, que nunca fingirá ser amigo, mas que apenas e simplesmente o será.

O que não foi escrito aqui fica nas entrelinhas: ninguém é perfeito.



O título “Ecce Homo” vem da obra de F. Nietzsche, com mesmo nome, uma obra extremamente egocêntrica, auto-crítica e, diga-se de passagem, um belíssimo trabalho. Traduzindo: Eis o Homem.